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Amigos de verdade: quem são e para que servem

  • 3 de set. de 2015
  • 7 min de leitura

Natura Cocriando, Maio 2015

Precisa desabafar? Ele está lá pra ouvir. Tem uma notícia ótima pra contar? Ele vai ser o primeiro a come-morar seu sucesso. Porque amigo é isso e muito mais.



“Amigo. 1 Aliado, concorde; 2 Indivíduo unido a outro por amizade; pessoa que quer bem a outra 3 Dedicado, afeiçoado. 4 Colega, companheiro. 3 Amante, amásio. 5 Defensor, protetor.”


É mais ou menos isso que você encontra se procurar o significado da palavra amigo no dicionário. Mas na prática a gente sabe que amizade é isso e muito mais. Um bom amigo, daquele difícil de encontrar, vai te fazer sorrir, te animar quando você estiver pra baixo e compartilhar sua alegria quando você estiver bem. Eles influenciam em várias coisas: no modo que você fala (sabe quando você começa a falar com sotaque depois de tanto conversar com aquele amigo de outro estado?); no modo que você pensa e até sua saúde.


É isso mesmo. O cientista social James Fowler, da Universidade de Harvard, fez várias pesquisas sobre como amigos influenciam nossos hábitos e disposição. Uma delas ((http://web.med.harvard.edu/sites/RELEA-SES/html/christakis_happiness.html) mostra que a felicidade, por exemplo, é contagiosa: se um amigo está feliz, 15,3% de chances que você ficará também. Quem está alegre é o amigo de um amigo? Sem pro-blemas. Nesse caso, a sua felicidade cresce 9,8%. Esses números são estatísticas, então a porcentagem pode variar para mais ou para menos. O fato é que você também fica mais contente.


E não para por aí. As características e atitudes dos seus amigos mexem tanto com você que até o seu peso pode ser influenciado por seus amigos (http://web.med.harvard.edu/sites/RELEA-SES/html/July07Christakis.html) . Ter um amigo obeso aumenta a sua chance de ganhar uns quilinhos em 45%, e se o amigo do amigo está fora de forma, são 10% de chances que você também vai estar. Quer mais motivos pra ampliar sua rede de amigos? Vamos lá:


ELES TE MOTIVAM


Pense na cena: você acabou de entrar na faculdade e o primeiro passo é arrumar um estágio. A ideia de trabalhar pode até parecer legal, mas deixar o conforto de casa pra acordar cedo e enfrentar o ônibus lotado faz você pensar duas vezes. Deixa a sua mãe saber disso. De hora em hora, ela aparece dizendo que você tem que trabalhar logo, que precisa ter seu dinheiro, que não vai te sustentar pela vida toda, etc. Nada muito motivador, mas se o conselho vem de um amigo, a situação muda. Um estudo feito pela American Psycholo-gical Association (http://psycnet.apa.org/index.cfm?fa=search.displayRecord&uid=1995-29052-001) mostra que a gente dá muito mais atenção a conselhos de amigos do que de familiares.


E não para só nos conselhos: ir para academia com um amigo é uma ajuda e tanto para seu plano de entrar em forma. Além de ser mais divertido, as chances de você colocar mais cinco minutinhos no despertador caem bastante se você sabe que tem alguém esperando por você


TE AJUDAM A RELAXAR


A expressão “precisar de um ombro amigo” parece cliché, mas faz todo o sentido. Quando estamos es-tressados, saber que podemos contar com amigos faz toda a diferença, principalmente entre mulheres. Pesquisadores descobriram (http://www.updegrafflab.org/files/5713/3886/8266/TKLGGU-00.pdf

) que elas são mais beneficiadas pelos efeitos calmantes da amizade que os homens. Isso acontece por conta da ocitocina, hormônio responsável pelas sensações de afeto e amizade. O cérebro feminino tende a ser liberar mais desse hormônio em situações de estresse e isso leva a uma tendência “cuidar e simpatizar”. Aí já viu, vai todo mundo conversar sobre o assunto, isso leva a produzir mais ocitocina e a estressada sai mais calminha. Nos homens as palavras de ordem são diferentes: “correr ou lutar”, por conta das altas doses de outro hormônio, o cortisol.


A ocitocina é tão importante nas relações humanas que cientistas resolveram produzi-la em laboratório, en-garrafar em vidros fofos e vendê-la sob o nome “Liquid Trust”, algo como Líquido da confiança, em inglês. A promessa é a seguinte: você usa e todo mundo começa a gostar de você instantaneamente. Uma jornalista americana testou e tentou convencer uma vendedora a trocar um par de sapatos comprado há dois anos. Colocamos o link no fim do texto para você descobrir se funcionou ou não.


PODEM FAZER VOCÊ VIVER MAIS - E MELHOR


Não estamos dizendo que o segredo de ser centenário é ter vários amigos, mas cientistas americanos da Universidade Brigham Young passaram mais de sete anos pesquisando a relação entre expectativa de vida e amizade. Adivinha? Pessoas que contam com alguém para desabafar têm 50% mais chances de viver mais.


INCENTIVAM O OTIMISMO


Em 2010, a Universidade de Virginia, nos Estados Unidos deu mochilas bem pesadas para alguns estudantes e fizeram com que eles subissem uma montanha bem íngreme. Alguns foram em grupos de amigos, outros foram com desconhecidos. Quando voltaram da missão, cada aluno teve de adivinhar o grau de dificuldade da subida. Quem foi sozinho achou que o desafio tinha sido maior do que aqueles que subiram com os ami-gos. Conclusão do estudo: se você tem o apoio de quem gosta, seus problemas parecem bem menores do que realmente são.( http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3291107/)



UM MILHÃO DE AMIGOS?


Lá na década de 70, Roberto Carlos já dizia que queria ter um milhão de amigos. Se a amizade traz tantos benefícios, quanto mais melhor, certo? Sim, mas existe um limite. Pesquisadores da Universidade de Oxford compararam o tamanho neocórtex (área do cérebro responsável pelo pensamento consciente) com o de outros primatas. Depois cruzaram os resultados com dados sobre a organização social de cada espécie ao longo do tempo. Cálculo aqui, comparação lá e o resultado foi, no mínimo, curioso: o máximo de amigos que uma pessoa pode ter ao mesmo tempo é 150.


Você pode não perceber, mas para manter uma amizade com alguém, precisa memorizar certas informações sobre ela – desde o nome até detalhes de como ela se comporta. Mas os cientistas perceberam que a capa-cidade de armazenamento do cérebro vai até 150 pessoas. Mais que isso não é amizade, e sim, relaciona-mentos casuais. Curioso né? Tem mais. Dentro desses 150 existem subgrupos: 5, 15, 50 e 150 pessoas, cada um com “importância diferente”. O interessante é que filósofos antigos como Aristóteles e Platão já tinham falado desses círculos lá na Antiguidade, quando cinco era considerado o número máximo de amigos verda-deiros de uma pessoa. Funciona assim: os cinco primeiros, claro, são aqueles para os quais você não pensa em ligar duas vezes no meio da madrugada para pedir ajuda ou conselhos caso aconteça alguma coisa im-portante - os amigos do peito. O segundo grupo são pessoas que você considera muito importantes, mas não o suficiente para contar todos os detalhes da sua vida. O próximo grupo, de 50, é a média de amigos mantidos por uma pessoa e (coincidência?) o número dos grupos de caça dos homens das cavernas. A partir daí até o limite de 150, são pessoas que você lembra das características principais e mantém um relacionamento amistoso.



E quando a pessoa é solitária? Bom, aí o assunto é diferente. E não esqueça: ser solitário não significa ser tímido. Existem casos de pessoas super desinibidas que fazem amizade com todo mundo e mesmo assim não tem amigos com quem possam contar. Sabe por que? O segredo de uma boa amizade não está em quanti-dade, e sim em qualidade. Daí vem aquela velha regra, muitas vezes esquecida: manter amigos é muito dife-rente de ter amigos. Até porque ‘ter’ passa aquela ideia de posse que não costuma ser muito saudável: você tem, é seu, ninguém tira. Manter é diferente: é quando você tem carinho por alguma coisa e quer ter certeza que ela está bem. Pense em plantinhas em um vaso: você pode ter várias e elas vão ser bonitas por um certo tempo, mas se você não regar, elas não vão durar muito.


A gente sabe que a falta de tempo é um dos problemas modernos, mas cultivar amizades não significa ne-cessariamente passar horas com cada pessoa que gostamos. No fim das contas, a diferença está nos detalhes. A psicóloga Debra Oswald, da Universidade de Marquette (EUA), conta que existem quatro pontos básicos para deixar a amizade em dia.


Apoiar nossos amigos é o primeiro ponto. Na saúde e na doença. Na alegria e na tristeza. Bons amigos estão sempre lá para você e essa é a melhor forma de alimentar a amizade: se importar e mostrar que você se importa. Mas não vale fingir, se você não se interessa por tal pessoa, por que acha que ela é sua amiga?


Em seguida vem a confiança. Aquela vontade de contar o que você realmente pensa não acontece em uma conversa com qualquer pessoa. Se você se abrir, seu amigo terá uma reação de acordo com o que você acabou de dizer para ele: apoio ou incentivo. A pesquisadora americna Beverly Feht, autora do livro “Frien-dship Processes” explica que uma amizade só nasce se ambos os lados estão dispostos a revelar coisas mais pessoais “Isso tende a ser um processo gradual nos estágios iniciais da amizade. Inconscientemente ou não, uma pessoa aceita o risco de revelar algo pessoal mas ‘testa’ se a outra faz o mesmo”, diz ela.


O terceiro ponto é a interação. É muito bom usar o Facebook ou o Whatsapp para conversar com aquele amigo que está longe, ou só para dar um alô pra quem você não pode ver sempre. Até porque não importa se o amigo é seu vizinho ou mora em outro país: você precisa estar em contato com ele. Mas, não se esqueça: a internet deve ser sua aliada, não a vilã da história. O principal objetivo das redes sociais é socializar – é óbvio, está no nome, mas muita gente confunde as coisas. O importante é não se esquecer que se você

resolveu separar um tempo para falar com seus amigos pessoalmente, deixe o telefone de lado! As atualiza-ções do Facebook vão continuar lá daqui algumas horas, não há necessidade de checá-las a cada segundo.


E por fim, a positividade – importante tanto para manter como para começar amizades. Seu amigo conseguiu o emprego dos sonhos e te liga para contar a novidade. Não é porque você está desempregado ou não gosta do seu trabalho que vale ficar com inveja. Verdadeiros amigos realmente ficam felizes com a alegria do outro. É só lembrar do que falamos lá em cima: felicidade verdadeira é compartilhada e contagia.

Segundo o estudo,(http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1083-6101.2003.tb00216.x/full) manter a positividade é importante. Sim, nós podemos e devemos contar com os amigos para superar os perrengues da vida, mas choramingar sem motivo e ver o lado negativo de tudo também não é legal. Como dissemos, os efeitos da amizade são contagiantes.



E você? Percebe as influências dos seus amigos na sua vida? Como faz para driblar a falta de tempo e manter a amizade em dia?

 
 
 

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