SOS relacionamento
- 20 de mar. de 2014
- 5 min de leitura
NATURA COCRIANDO, JUNHO 2015

Como recuperar relações com problemas e dar a volta por cima
Sete da manhã e Maria já está acordada. Enquanto prepara o café, pensa em quantas coisas tem de fazer hoje. O dia está muito mais corrido que o normal: precisa ir ao salão fazer o tratamento completo (leia-se mão, pé, depilação, cabelo), depois passar na bodega para buscar aquele vinho que encomendou há dois meses, ir ao shopping comprar aquele celular que o marido vem namorando desde o lançamento, voltar pra casa, preparar aquela massa especial daquele programa de culinária. Os dias delas não costuma ser assim, porque esse é um dia especial: há um ano ela deixou a vida de solteira de lado e casou com aquele que ela diz ser o amor da vida dela.
Ela corre contra o tempo e, apesar de não tem conseguido comprar o celular – o modelo já tinha esgotado - consegue chegar em casa a tempo para começar o jantar. O marido deve chegar logo, apesar de não ter respondido as mensagens que ela mandou mais cedo. “Deve estar ocupado”, pensa. “Poxa, esse emprego novo está exigindo tanto dele, tadinho”.
A massa fica pronta, Maria se arruma, põe a mesa e nada do marido chegar. O celular está na caixa postal. Ela começa a ficar preocupada, mas logo imagina que ele deve estar preparando uma surpresa. O tempo passa, o celular não responde, a massa esfria, Fulana está desesperada. Já ligou para a família dele e quando começa a discar o número do primeiro amigo da agenda, ouve a porta da sala abrir. Corre desesperada para a sala e vê o marido, que dá um sorriso e diz: “Oi amor! A gente precisa comemorar! O Corinthians ganhou o campeonato!! Você viu? Ia mandar uma mensagem pra você ligar a TV, mas saí tão rápido da empresa pra ver o jogo na casa do Marcelo que acabei deixando o celular lá!”
O marido só foi ouvir a voz de Maria um mês depois. Pra voltar a dormir no quarto, levou três meses. Isso porque quando fulana está nervosa ou decepcionada ela aplica a lei do silêncio, que é quando o parceiro faz alguma coisa que te deixa irritad@ e você, em vez de contestar aquele comportamento, finge que está tudo bem e/ou deixa de falar com ele por um tempo, até que a raiva passe.
Dessa vez o marido estava errado, mas ele também não estava muito feliz com o comportamento de Maria. Os dois discutiam muito, por qualquer coisa, principalmente depois que ele descobriu que ela o havia traído (ainda que uma vez só, segundo ela) com um ex-colega de trabalho.
O casal da história vive um tipo de relacionamento que precisa ser cuidado e curado. E, se pararmos para pensar, em algum ponto da vida todos nós já nos vimos em um relacionamento em decadência, mas que tinha tudo para dar certo – sejam eles amorosos, familiares ou de amizade.
No começo, todo relacionamento é legal, empolgante, mas com o tempo esse entusiasmo vai perdendo o efeito. E se não existe disposição para enfrentar dificuldades, cuidar da relação e se divertir com outro, as coisas desandam. Preparamos algumas dicas para ajudar quem está ou conhece alguém vivendo um relacionamento desses, ou quer se preparar para aqueles que possam aparecer.
Não tenha medo de falar!
“Você parece estranh@ hoje, o que aconteceu? ” – “Nada. ´Tá tudo bem. ” Esse diálogo é tão comum, que ao ouvirmos que não tem nada errado, sabemos que são grandes as chances de alguma coisa não estar indo de fato bem. A ‘lei do silêncio”, da qual falamos há pouco pode ser uma resposta comum a conflitos em relacionamentos, mas também é uma das mais destrutivas. Segundo estudo feito pelo jornal científico americano Communication Monographs (http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/03637751.2013.813632#.VLUsLGTF_-p), mostra que esse tipo de comportamento é um fator de insatisfação tão grande que muitas vezes leva ao divórcio. Segundo a pesquisa, casais que praticam a “lei do silêncio” são menos satisfeitos com o
relacionamento, têm baixo nível de intimidade e sérios problemas de comunicação.
Falar sobre seus sentimentos é um importante passo para curar relacionamentos, pois ao contrário do que alguns acreditam, não importa há quanto tempo vocês estão juntos: ninguém é capaz de ler a mente do parceiro, muito menos do amigo.
A arte de ouvir
Não basta falar, é importante ouvir, especialmente quando se trata do sentimento alheio. Adiar discussões pode evitar confrontos mas faz com que nenhum dos envolvidos seja capaz de entender - e consequentemente ajudar o outro.
Tente ver as coisas pelo ponto de vista do outro
Napoleon Hill, autor do livro “A lei do triunfo” (http://www.saraiva.com.br/a-lei-do-triunfo-318676.html) , foi um dos nomes mais influentes na área de realização pessoal de sua época. Tanto que virou conselheiro de dois presidentes dos Estados Unidos: Woodrow Wilson e Franklin Roosevelt. Uma das frases mais famosas desse americano é “Uma das maiores surpresas da minha vida foi quando percebi que boa parte da feiúra que eu enxergava nos outros nada mais era que um reflexo de minha própria natureza. ”
Antes de criticar alguém, separe um segundo para olhar a situação a partir da perspectiva dessa pessoa. Ao se colocar no lugar do outro, você pode entender o porquê de ele estar agindo desse jeito ou perceber que o problema está na sua atitude.
Divirtam-se!
Diversão não significa necessariamente gastar dinheiro. Passem tempo de qualidade juntos, seja dando uma volta pela vizinhança, almoçando juntos, fazendo qualquer coisa diferente e agradável. A novidade combinada com uma atitude positiva é sempre revigorante.
Elogie
O relacionamento pode ir meio ‘mal das pernas’, mas provavelmente nem tudo é horrível, senão vocês não estariam tentando salvá-lo. Lembre-se e descubra coisas que fazem daquela pessoa alguém tão especial e único. Às vezes ficamos tão ocupados focando nos defeitos de nossos parceiros que acabamos nos esquecendo dos motivos que fez com que o relacionamento começasse.
Perdoe
Todos somos humanos e cometemos erros. Se você procura transformar um relacionamento mais ou menos em um ótimo, todas as partes envolvidas devem aprender a perdoar um ao outro.
Extermine os julgamentos
A escritora e terapeuta comportamental Nanice Ellis (https://www.nanice.com/) conta um caso de uma mulher, que durante uma sessão de terapia aberta, perguntou o que ela deveria fazer para mudar o comportamento da filha, que, segundo ela, adorava julgar os outros. Nanice respondeu “Pare de julgar sua filha”. A mulher disse: “Não, você não entendeu. É minha filha que está julgando todo mundo. O eu devo fazer?” De novo, a terapeuta respondeu: “Pare de julgar sua filha”. Nesse ponto, todas as outras pessoas que participavam da sessão já tinham entendido a resposta. A mulher, no entanto, precisou perguntar mais uma vez para sacar que, ao dizer essa frase sobre a filha, era ela quem estava julgando.
Se você quer mudar alguém, você precisa ser a mudança que desejar ver nessa pessoa. Julgar pode ser algo complicado por geralmente não nem nos damos conta de que estamos fazendo isso, mas sempre percebemos quando estamos do outro lado e somos julgados.
Para curar relacionamentos é preciso entender a dinâmica por trás dos problemas: o que são, como funcionam, como começaram? As pessoas não precisam ser iguais ou super parecidas para fazer um relacionamento dar certo. Em alguns casos, os opostos se atraem de verdade. E aí você pode se ver casado com alguém que, à primeira vista, não tem nada em comum com você. Mas se você pensar bem, de repente vai perceber que foram essas diferenças que fizeram com que vocês ficassem juntos. Se relacionar também significa compreender e admirar as diferenças do outro e de como vocês se completam como casal: de namorados ou de amigos.
Você já esteve – ou conhece alguém que esteve - em um relacionamento que precisa ser curado? Os problemas foram resolvidos? Conte para nós!





















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