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Aula prática com o leitor: fotografia de arquitetura

  • 18 de fev. de 2014
  • 6 min de leitura

Digital Photographer Brasil, ed.38

O fotógrafo e cineasta Armando Vernaglia Jr. explica os princípios da fotografia de arquitetura

Ao se deparar com um clima frio e nublado, Armando Vernaglia Jr.não teve dúvidas: as imagens produzidas durante a parte prática do workshop de fotografia de arquitetura oferecido pela DPBR em parceria com o Instituto Internacional de Fotografia (IIF) seriam empreto e branco. Afinal, a luz difusa do tempo fechado proporciona menos contraste e melhor captura de detalhes nas luzes e sombras.

O local das fotos também já estava definido: a região do Páteo do Colégio, situado no centro histórico de São Paulo. Ainda no IIF, Vernaglia apresentou conceitos de história da arte e estilos arquitetônicos e a importância deles em cada período histórico. O professor também explicou como se dão os processos de inserção social na arquitetura e contou curiosidades em todas as etapas de produção de um projeto.

Quem aproveitou tudo isso foi o analista de treinamento Murilo Romanatto Alves. Formado em Recursos Humanos, Murilo nunca frequentou cursos de fotografia – abusa de livros e revistas como a DPBR para aprender teorias e técnicas fotográficas. “Um workshop como este, voltado ao compartilhamento de experiências, é essencial para mim. Agora sei aproveitar melhor meu equipamento e tenho consciência das possibilidades e dificuldades que poderei enfrentar com minhas lentes.”

O IIF conta com uma extensa equipe de professores, todos os fotógrafos profissionais praticantes em suas especialidades respectivas, e oferece umaampla variedade de cursos e workshops de iniciação e especialização em fotografia. Confira a programação do Instituto pelo fone (11) 3021-3335 ou na web: www.iif.com.br/site/calendario.

Nos bastidores...

Da teoria à prática

De história da arte ao estudo do cliente, Vernaglia expôs todos os pontos importantes da fotografia de arquitetura durante a parte teórica do workshop. Confira algumas:

Um pouco de história

Barroco, românico, gótico. Saber identificar os diferentes estilos arquitetônicos e como eles se dão ao longo da história é um dos pontos básicos para o fotógrafo de arquitetura. Assim, você não corre o risco de cortar detalhes que permitem identificar o período em que uma edificação foi construída, por exemplo.

Regra nº 1: não sobrepuje o estilo do arquiteto

Planejamento é essencial na arquitetura. Do projeto inicial aos últimos detalhes da construção, o profissional dedica tempo estudando características geográficas e estéticas adequadas ao seu estilo de trabalho. Com o fotógrafo de arquitetura não é diferente. Com exceção de imagens autorais e completamente artísticas, é fundamental compreender o conceito idealizado no projeto da edificação e planejar a construção das imagens de acordo com essas características. Na fotografia de arquitetura publicitária, de nada adianta uma imagem bonita se esta não condiz com a obra do arquiteto.

Do macro ao micro

Ao fotografar construções, não restrinja seu trabalho a imagens de fachadas. Detalhes arquitetônicos podem dizer muito sobre a história de um prédio. Explore o exterior para situar o contexto da obra e criar uma ligação entre público e privado, mas não se esqueça do interior e das particularidades que ele contém.

A importância dos detalhes também se dá durante a documentação de patrimônio histórico. Pequenas deteriorações, como alterações de cores nas paredes até arbustos crescendo nas frestas de uma porta podem ser registros interessantes.

Fotografando em PB

Imagine a cena: você acorda disposto a sair para fotografar, mas ao abrir a janela do quarto percebe que o dia não nasceu tão ensolarado como você esperava. Em vez de guardar sua câmera e voltar para debaixo dos cobertor, por que não fotografar em preto e branco?

“Pequenas deteriorações, como alterações de cores nas paredes até arbustos nas frestas de uma porta podem ser registros interessantes”

À primeira vista, os tons cinzentos e a falta de sombras podem não parecer muito atraentes, mas assim que as imagens são convertidas para PB a dramaticidade entra em cena e pode gerar fotografias bem interessantes.

Vamos praticar!

Na segunda metade do workshop, nos dirigimos ao centro histórico de São Paulo, mais especificamente ao Páteo do Colégio, local onde foi levantada a primeira construção da cidade.

Enquanto as câmeras são preparadas, Vernaglia chama a atenção para uma das portas do mosteiro. Ele conta que fechaduras com formato de cruz eram comuns em edificações religiosas e mostra a única remanescente após as obras de restauração do prédio.

Discurso visual e escolha da lente

Definir o tipo de relação que você pretende criar com suas imagens é a chave para descobrir a lente mais adequadaao seu trabalho. Como fotógrafo, você é responsável pela comunicação entre o lugar e o observador.

Quando o objetivo de seu trabalho é proporcionar a ideia de contemplação, apreciando a imagem à distância, é recomendado o uso de teleobjetivas. Se a sua ideia é transmitir acessibilidade e aproximar a pessoa da locação, uma objetiva grande-angular é a melhor escolha e também a mais usada por profissionais da fotografia de arquitetura.

Alinhamento e geometria

Quais linhas são prioridade ao fotografar um prédio? Horizontais ou verticais? Seja durante a captura de uma foto ou mesmo na pós-produção, em um software de edição, muitas pessoas tendem a corrigir linhas horizontais e não prestar a devida atenção às verticais. Geralmente quando isso acontece, é comum termos a sensação de que algo continua torto na imagem. Para uma composição mais harmônica e geométrica, identifique a linha vertical dominante de sua imagem e deixe-a o mais alinhada possível.

Perspectiva e distorção

Distorções de linhas são comuns ao fotografar arquitetura. Embora atribuídas às lentes, na maioria das vezes trata-se de erro de perspectiva, como quando o fotógrafo tenta registrar um prédio a curta distância. Se você pretende investir em equipamentos, as lentes do tipo tilt and shift (também conhecidas como controle de perspectiva) permitem imagens em grandes ângulos com praticamente nenhuma distorção.

Vale lembrar que, às vezes, dar alguns passos para trás e/ou subir em algum apoio pode corrigir o problema e verticalizar as linhas. Quando isso não é possível, a solução é recorrer posteriormente a algum programa de edição de imagens.

Luz e condições climáticas

Ao viajar para o Hemisfério Norte, algumas pessoas notam diferenças no modo como a luz solar incide sobre os objetos. Isso acontece devido à posição dos países no globo terrestre, sendo que, enquanto percebemos uma luz mais verticalizada na Europa, no Brasil a luz é praticamente vertical.

Por conta disso, os horários mais recomendados para fotografar no Hemisfério Sul são aqueles antes das nove e depois das 16 horas (também conhecidos como “horas douradas”), por conta dos ângulos mais baixos de luz.

As estações do ano também influenciam na construção da luz. No Brasil, a luz é mais vertical no verão e um pouco mais lateral durante o outono e o inverno.

Seu amigo, o tripé

Certos equipamentos são essenciais na fotografia de arquitetura. E a base, literalmente, está no tripé. Além de permitir aberturas menores e, consequentemente, imagens mais nítidas, o tripé permite alinhar todos os elementos com calma e precisão.

PROFESSOR E ALUNO COMENTAM A AULA

DPBR: O que achou do workshop?

Armando Vernaglia Jr.: A principal vantagem foi o tempo ruim para trabalhar. Quando dispomos de muito sol e lugares belíssimos, é fácil fotografar, mas trabalhar sob um clima que não é o ideal força você a buscar soluções e achar coisas belas em uma condição desfavorável.

Nesse sentido, o clima da cidade de São Paulo hoje permitiu uma prática interessante de perceber a questão da óptica das lentes e o ângulo de visão das coisas.

DPBR: Qual seu momento favorito do dia de hoje?

AVJ: A parte teórica é fundamental, mas é seguramente mais divertido quando estamos em campo, fotografando.

DPBR: Quais as maiores dificuldades enfrentadas pelo aluno e como ele pode melhorar suas habilidades?

AVJ: É difícil avaliar o desempenho de um aluno em apenas uma aula, mas acredito que o ponto principal a ser desenvolvido é a atenção aos detalhes, que podem transformar uma imagem. Em geral, isso demanda muito tempo e treinamento.

DPBR: Quais os três principais pontos na fotografia de arquitetura?

AVJ: A atenção ao alinhamento e à geometria das imagens. Use um tripé para analisar a composição com calma e tenha a melhor grande-angular que seu dinheiro puder comprar.

DPBR: De tudo o que aprendeu, de que mais gostou, e como isso melhorará suas fotografias daqui para a frente?

Murilo Romanatto Alves: O conceito de geometria, a noção de espaço e, em especial, o alinhamento da reta principal, que aumenta bastante a qualidade da imagem. Também foi interessante saber como enfrentar situações nas quais você não tem o melhor ângulo e o que fazer para que uma foto fique boa mesmo não estando no plano mais confortável.

DPBR: Como esta aula prática mudou seu entendimento sobre o que é a fotografia de arquitetura?

MRA: Comecei a entender quais foram os meus erros nas fotos que já fiz e como posso melhorar nas próximas. Não busquei fazer as imagens mais bonitas de imediato, mas procurei absorver todos os conceitos que o professor me passou.

______

O ALUNO:

Murilo Romanatto Alves - “Neste workshop, consegui dicasque provavelmente não encontraria em nenhum livro".

Web: flickr.com/ trustyouself

"Tenho 24 anos e sou autodidata na fotografia. A princípio, usava apenas a câmera do celular e publicava as imagens no Instagram. Fui recebendo um retorno legal, comprei uma câmera e passei a estudar e fotografar durante viagens a trabalho.”

______

O INSTRUTOR

Armando Vernaglia Jr. -“Apesar de ser formado em Publicidade e Propaganda e ter pós-graduação em RelaçõesPúblicas e Marketing, nunca trabalhei nessas áreas. Sou profissional de fotografia desde os 15 anos. Meu primeiro contato com a fotografia foi aos quatro, quando afanei uma câmera de meu pai, um administrador que fotografava por hobby.”

Web: vernaglia.com.br

Atualmente, Vernaglia atua como fotógrafo e diretor de fotografia especializado em fotografia de arquitetura, ambientes, turismo e produtos, e também como professor de fotografia e cinema, consultor de imagem e palestrante.

 
 
 

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