Ramonesmania: Conheça a linha de óculos do baterista Marky Ramone
- 18 de mar. de 2012
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Revista VIEW, agosto 2012
Tudo começou em 2005 com o Sepultura. Sim, a banda brasileira de maior projeção internacional de todos os tempos foi a porta de entrada da Evoke no lançamento de modelos com características e cores especiais em séries limitadas e numeradas “chanceladas” e customizadas por famosos.
Batizado de Signature Series (do inglês, algo como “série assinaturas”), o projeto já rendeu colaborações com expoentes da street art (do inglês, “arte de rua”) como Stephan Doitschinoff, mais conhecido como Calma, a estilista Juliana Jabour, entre outros.
Em 2011, para celebrar uma década de existência, a marca estabelece uma especialíssima conexão internacional e convidou ninguém menos que uma lenda do rock mundial para estrelar a primeira edição do Signature Series de seus dez anos.
Depois de lançar uma série de jeanswear com a norte-americana Tommy Hilfiger em 2009, Marky Ramone escolheu a Evoke para os óculos e optou por customizar o Poncherello, um dos modelos mais icônicos da marca.
Com isso, o Signature Series Evoke by Marky Ramone tem hastes artesanalmente revestidas de couro e o estilo aviador que tanto rendeu sucesso à Evoke quando lançado, em 2005 - o nome do modelo é uma referência ao aviador usado pelo personagem de Erik Estrada no célebre seriado Chips, nos anos 70, o policial Frank Poncherello. A série é limitada e numerada com a comercialização de apenas 1 mil exemplares.Evoke by Marky Ramone: uma releitura do icônico Poncherello customizado com hastes artesanalmente revestidas de couro.
Punk na veia
O título de berço do punk rock é reivindicado tanto pelos Estados Unidos como pela Inglaterra, mais ou menos como Itália e França gostam de disputar o posto de pátriamãe dos óculos. Mas, no caso do punk, os Estados Unidos ganharam léguas de vantagem em meados da década de 90. Foi nessa época que o jornalista norte-americano Legs McNeil, lançou o clássico "Mate-me, por favor". Em 1975 o nova-iorquino, então com 18 anos, lançou a revista Punk no meio underground que acabou por batizar também o movimento que era febre entre os jovens que formavam a blank generation (do inglês, “geração vazia”, caracterizada por um ar entediado e visual marcado, sujo, com camiseta rasgada.
A obra de McNeil, bíblia para amantes do rock e curiosos sobre cultura pop, situa o cenário da época e destrincha profundamente o movimento.Havia uma juventude já no final dos anos 60 que odiava com todas as forças a influência hippie no rock e abominava ainda mais a música disco e encontrava refúgio no Velvet Underground de Lou Reed, nos Stooges de Iggy Pop e em centenas de bandas de garagem – a casa noturna CBGB, no East Village, tornou-se o ponto de encontro e apreciação da nova sonoridade e atitude que surgiam.
O espírito daquele tempo fervilhava com ideias que seriam as sementes do punk, muitas delas girando em torno do artista plástico Andy Warhol, que além de ser um dos expoentes da Pop Art, esteve envolvido em várias vertentes da cultura pop. O movimento “ganhou sangue” e foi batizado “punk” na Nova Iorque de 1975 e teve os Ramones como uma de suas mais perfeitas traduções.
Ramonesmania, o início
No começo dos anos 70, quatro garotos de um bairro de classe média de Nova Iorque resolveram montar uma banda para fazer o tipo de música que queriam ouvir. Nascia aí uma das principais bandas de punk rock de todos os tempos: os Ramones.
O nascimento do punk
Eles não sabiam tocar muito bem, não eram os melhores compositores e o visual, composto por jaquetas de couro, jeans rasgados e muito preto, bem diferente do que se tinha na época com o movimento hippie e a música disco, faziam deles uma banda “estranha” à primeira vista. Conscientes de que eram únicos, se enxergavam como uma grande família e emprestaram o sobrenome do primeiro produtor do grupo, Phil Ramone, para batizar a banda e todos que por ela passaram.
A mistura de letras simples, músicas curtas e com velocidade apavorante para a época era a receita dos Ramones, cujo primeiro álbum homônimo, de 1976, tinha impressionantes 29 minutos de duração e foi muito bem recebido pela crítica.Em pouco tempo, as apresentações da banda deixaram de ser feitas apenas no CBGB e deram lugar a longas turnês.
O baterista Tommy Ramone não aguentou a pressão e resolveu sair da banda, em 1978. Para substituí-lo, foi chamado o ex-baterista da banda punkThe Voidoids, Marc Bell, rebatizado Marky Ramone.
A era Marky
Nascido no bairro nova-iorquino do Brooklyn, Marky tocava bateria desde os tempos de colégio. Em 1983, foi obrigado a deixar a banda para se trat ar de problemas com álcool, voltando cinco anos depois, totalmente recuperado e permanecendo até o fim do grupo, em 1996. Hoje, é o único integrante vivo da formação mais emblemática da banda (o vocalista Joey, o baixista Dee Dee e o guitarrista Johnny morreram, respectivamente, em 2001, 2002 e 2004)
.Gabba gabba hey!
O clima familiar e de autoaceitação sempre esteve presente nas músicas dos Ramones. Além da célebre “Hey, ho, let’s go!”, uma das expressões- chave da banda é “Gabba Gabba Hey”, que apareceu pela primeira vez na música Pinhead, no álbum Leave home, de 1977.
A expressão, que em princípio não parece fazer sentido, vem do filme Freaks, traduzido no Brasil como Monstros, clássico do cinema B dirigido por Tod Browning em 1932 e que abalou a sociedade da época por trazer um elenco de atores composto por anões, microencefálicos, um homem sem braços nem pernas, entre outras deformidades.
Na cena mais famosa, os personagens saúdam uma mulher “normal” com a música Gobble, gobble, we accept you, one of us (do inglês, “Gobble, gobble, nós a aceitamos como uma de nós”). Os Ramones apenas adaptaram a palavra “Gobble” para “Gabba”, como é pronunciada, e a usaram na música Pinhead, também uma referência ao filme - o personagem com cabeça em forma de prego, cuja imagem se tornou mascote da banda.
Enquanto isso, na Inglaterra
Do outro lado do Atlântico, mais precisamente em Londres, a Let it rock chamava a atenção por suas roupas pouco tradicionais, criadas pela estilista Vivienne Westwood, que mantinha a loja com o marido, Malcolm McLaren. Durante uma viagem a Nova Iorque, McLaren percebeu que o que valia no mundo do rock em 1975 era muito mais a atitude do que o som propriamente dito e decidiu levar a ideia para a Inglaterra.
Os ares no país não eram dos melhores na segunda parte da década de 70. Os altos índices de desemprego, uma crise política que culminaria na eleição de um governo ultraconservador e a desilusão dos jovens da classe operária criavam uma atmosfera tão ou mais carregada do que a existente na Nova Iorque dos Ramones.
De volta, McLaren abre com Vivienne a Sex, loja que se torna ponto de encontro desses jovens, com roupas cheias de símbolos políticos antagônicos e motivos sadomasoquistas. McLaren reuniu um grupo de frequentadores da loja para formar os Sex Pistols, banda planejada para ser a versão britânica do punk norte- americano.Mais focado na atitude do que na sonoridade, o Sex Pistols ganhou popularidade a partir de suas apresentações caóticas e canções que ultrajavam os principais valores da sociedade britânica.
De tão apolítica, se tornou uma das bandas mais politizadas de que se tem notícia e foi responsável por disseminar o punk pelo mundo. E teve os Ramones como sua “melhor companheira”.





















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