Distúrbios alimentares: o que a escola tem com isso? - cobertura do 20º Congresso do SINPEEM
- 18 de mar. de 2012
- 2 min de leitura
Jornal do Sinpeem, outubro 2010
Você já ouviu falar na Mia? E na Ana? Se para você esses são apenas nomes de pessoas, é melhor reconsiderar. Mia é o ‘codinome’ dado pelas crianças para a bulimia, distúrbio alimentar no qual o paciente ingere grande quantidade de alimento num curto espaço de tempo como se estivesse com muita fome. O paciente tenta vomitar e/ou evacuar o que comeu logo depois, com a finalidade de não ganhar peso.
Ana é o termo usado para designar a anorexia, doença que faz com que a pessoa tenha uma percepção distorcida de si mesma, acreditando estar gorda, mesmo quando ta em manter seu peso corporal abaixo dos níveis esperados para sua estatura, juntamente a uma percepção distorcida quanto ao seu próprio corpo, que leva o paciente a acreditar que está gordo, apesar de estar abaixo do peso.
Cada vez mais comum no âmbito escolar, os distúrbios alimentares foram tema de uma das palestras realizadas no 20º Congresso do SINPEEM, realizados entre os dias 27 e 30 de outubro no Pavilhão de Exposições do Anhembi. O psiquiatra Luiz Scocca e a nutricionista especializada em desnutrição e saúde na pobreza Jeanne de Queirós Jaen discorreram sobre o assunto e deram dicas de como os professores podem prevenir e ajudar crianças com esses distúrbios.
Alunos que apresentam grande preocupação com a aparência, ou que tenham sensibilidade exacerbada a críticas podem estar sofrendo de algum tipo de transtorno. “Geralmente, essas crianças são muito inseguras em relação à própria aparência ou apresentam extrema intolerância com pessoas acima do peso.”, explica Jaen.
Existem vários sintomas aos quais os professores podem ficar atentos, como:
- Desculpas para pular refeições;
- ‘Sumir’ logo após as refeições;
- Perguntas em relação ao corpo, como: Você me acha gordo? Preciso perder peso? As pessoas me notam?
- Dificuldade em lidar com situações de estresse;
- Cansaço anormal, com tonturas e desmaios freqüentes;
Jaen alerta que, alunos com transtornos alimentares são perfeccionistas e podem aparentar ser um aluno ideal, demonstrando um forte interesse no desempenho acadêmico e se envolvendo bastante em atividades extra-curriculares e/ou esportes.
Além de sinais perceptivos, existe um que pode ser facilmente identificado, no caso de bulimia: o sinal de Russell. “Trata-se de lesões ou calosidades no dorso dos dedos, feitas pelos dentes do doente quando inserem os dedos na garganta para incitar o vômito.”, conta Scocca.
Ao perceber possíveis sinais, o professor deve ser discreto e contatar a família da criança. Além disso, projetos pedagógicos que conscientizem os alunos sobre os cuidados com a alimentação e os perigos da supervalorização da imagem servem como medidas de prevenção na sala de aula.





















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